Variações telegramáticas sobre exílios e literaturas escritas por homens (2) por Lourido

 
 
 

Lourido

Há uns meses passou praticamente desapercebido o centenário do intelectual José (outras vezes, Xosé) Rubia Barcia. Exilado inicialmente em Cuba (1939-1943) e após alguns trabalhos descontínuos em Hollywood, foi professor e investigador no área do hispanismo durante três décadas na Universidade de California Los Angeles (UCLA). A vertente criativa foi a sua maior frustração, dado que não conseguiu publicar com continuidade nem alargar uma obra quase só restringida a Umbral de sueños (1961) e A aza enraizada. Cantigas de bendizer (1981). Da frustração, da falta de reconhecimento, falam muito especialmente os volumes Con Luis Buñuel en Hollywood y después (1992) e Palabras al viento. Selección testimonial sobre la vida y obra fuera de España de un transterrado iberogalaico (1997), que aspiram à auto-legitimação através da referência (escassa, descontínua) de prémios menores, menções periféricas e, sobretudo, os elogios (com frequência, uns elogios expressados em carta privada) de agentes com autoridade intelectual (o próprio Buñuel, Jorge Guillén, Américo Castro).

 

A primeira vez que tive contacto com estas obras de Rubia Barcia, não pude evitar lembrar-me de Alfonso Pexegueiro. Sobre ele, um parente meu publicou algumas notas sobre a sua posição marginal no sistema literário galego das últimas décadas e, aliás, sobre a sua poética do exílio. Se pegarmos na edição galega de O lago das garzas azuis (2005) encontramos um anexo com os “Artigos de prensa sobre o libro” com contributos tão heterodoxos (e tão afastados, certamente, das posições mais legitimadas do sistema cultural galego) como os de Manuel Vázquez Montalbán (no que parece ser uma missiva pessoal), Federico Mayor Zaragoza, Pura Vázquez ou Dora Vázquez. De Pexegueiro soubemos nas últimas semanas que acaba de publicar um livro na Axóuxere Editora, Lapsus, prologado por outro poeta galego deslocado, David Souto. Leio a extraordinária entrevista realizada por Montse Dopico e penso: o exílio continua, como uma espécie de incapacidade para o reconhecimento, e a mesma estratégia de Rubia Barcia, inútil por ingénua, também.

 

Lourido

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Lourido: Multiplo e uno. Teoria Crítica. Análise cultural. Género. Exílios. Independentismo. Cárcere. Exijo seriedad, malos rollos no

capa livro lourido

 

 

 

 

 

 

 

Outras achegas de Lourido en LM:

QUE TRISTE O CEMITÉRIO ou ESTAMOS COM ELES

Variações sobre cultura política ou A casa polo telhado

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