Variações telegramáticas sobre exílios e literaturas escritas por homens (1) por Lourido

Lourido

O passado 12 de dezembro, no âmbito do congresso La poesia en la contemporaneïtat: reptes genèrics, identitat i incidència pública, o poeta e tradutor catalão Xavier Farré declarava o seu ceticismo sobre a possibilidade de a poesia chegar a ter uma incidência pública. Reduzia o seu alcance à esfera da linguagem e à procura dos seus limites ou simplesmente à intervenção em determinada tradição ou sistema literário. Mas, em relação a este último ponto, perguntava-se o próprio Xavier Farré: que lugar está destinado para mim, um escrito catalão, que vive fora dos Països Catalans, que lê e se interessa sobretudo pela poesia de outros espaços culturais (Eslovénia, Polónia e outros países centro-europeus), e que no seu trabalho aspira a dialogar com esses referentes exotópicos?

O testemunho de Xavier Farré fez-me lembrar-me do poeta galego Carlos Penela. Ganhador de vários dos prémios mais importantes da Galiza (Espiral Maio 1997, Eusebio Lorenzo Baleirón 2000, Caixanova 2007, González Garcés 2014), Penela transita pelas letras galegas com um mais bem escasso reconhecimento crítico e dxs seus pares. Radicado em Viena, o seu blogue Vieiros de Kakania testemunha um interesse muito centrado nas tradições de escrita e pensamento filiadas ao trauma pós-Segunda Guerra Mundial e, em definitivo, a sua poesia está decisivamente relacionada com escritas como as de Paul Celan, Ingeborg Bachmann ou Nelly Sachs. Redescubro estes dias (com certa angústia, por quê não dizê-lo) que Penela é membro da Asociación Galega de Amizade com Israel, em cujo site têm publicado algumas colaborações.

Mais um elemento para pensar sobre o seu exílio, as cisões discursivas da nação e a ideia de poesia forana pensada por Xavier Farré.

Lourido

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Lourido: Multiplo e uno. Teoria Crítica. Análise cultural. Género. Exílios. Independentismo. Cárcere. Exijo seriedad, malos rollos no

capa livro lourido

 

 

 

 

 

 

 

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